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A Garota Perfeita, de Mary Kubica | Resenha

Mary Kubica é uma autora que mostra certa aptidão em escrever bons trilhers psicológicos. A Garota Perfeita reforça esse seu talento em entregar uma boa trama, com personagens bem construídos e que mostram habilidades com o gênero literário escolhido pela autora para contar a jornada de cada um deles.

Coincidentemente ou não, a atmosfera de A Garota Perfeita é muito similar ao visto em A Desconhecida, há grandes evidências que uma história motivou a outra. Se você ler este livro na forma inversa aos lançamentos ocorridos no Brasil, constatará esse acerto da autora e da Planeta de Livros. Bons trilhers psicológicos não são aqueles que deixam os leitores ofegantes do início ao fim, mas aqueles que sabem como usar cada personagem em função da historia em que está sendo construída e isso Mary Kubica sabe fazer muito bem.

Em A Garota Perfeita, conhecemos Mia Dennett, uma mulher que abandonou um padrão de vida alto para se dedicar à educação de jovens. A professora é filha de um famoso juiz de Chicago. Começamos aqui com o primeiro padrão estabelecido pela autora, sua protagonista é claramente construída para chegar o mais próximo de situações reais que diariamente ouvimos nos jornais. O tema de fundo que move a trama do livro está no sequestro da professora, que após mais um furo de seu namorado, que sempre está fazendo algo, há deixa esperando em um bar.

Brecha para Owen encontre a vítima perfeita. Uma mulher fragilizada pelos acontecimentos de sua vida. A visão psicológica da personagem que a autora nos fornece, mostra que apesar da personagem estar satisfeita com sua profissão em poder ajudar o próximo, seus questionamentos internos, conseguem atingir projeções gigantescas, fazendo com que em alguns momentos sua sanidade seja questionada pelo leitor.

O livro é estruturado de uma forma em que o leitor é levado para alguns acontecimentos em ordem cronológica desconstruída. Mary Kubica não segue uma linha linear para o seu romance. Em A Garota Perfeita, à medida que a história vai se desenvolvendo a autora entrega algum fato importante sobre a trama de seus personagens que faça sentido ao ponto em que a trama do livro se encontra. Isso dá uma guinada na história do livro em momentos chaves, fazendo com o que o leitor construa uma relação com seu personagem preferido ou aquele mais odiado por suas ações.

A narrativa do livro é realizada em primeira pessoa. Esse tipo de narrativa tende a aproximar o leitor dos personagens. Interessante como a autora conduz a saga de Mia Dennett, antes, durante e após o sequestro. Quando ela é encontrada em uma cabana, se abre margens para anda mais teorias sobre a desenvoltura da personagem, que naquela altura do campeonato não se lembra de mais nada que tenha ocorrido com ela.

Muitos apontam uma semelhança com o livro Garota Exemplar, um dos maiores sucessos literários de 2016. A proposta por mais que idêntica, mostra uma nova abordagem para este tipo de história contada dentro do gênero. Ambas são boas leituras, que cativam os leitores de formas diferentes. E no caso de A Garota Perfeita, temos uma protagonista tendo sua história sendo contada sob o ponto de vista de outros personagens, mas que compensa cada página de sua saga.

Nota: ✩✩✩

A Garota PerfeitaTítulo: A Garota Perfeita
Editora: Planeta
Título Original: The Good Girl
Autora: Mary Kubica
Tradução: Fal Azevedo
Capa: Brochura
Valor: R$ 41,90
Quantidade de Páginas: 336
Sinopse: Mia, uma professora de arte de 25 anos, é filha do proeminente juiz James Dennett de Chicago. Quando ela resolve passar a noite com o desconhecido Colin Thatcher, após levar mais um bolo do seu namorado, uma sucessão de fatos transformam completamente sua vida. Colin, o homem que conhece num bar, a sequestra e a confina numa isolada cabana, em meio a uma gelada fazenda em Minnesota. Mas, curiosamente, não manda nenhum pedido de resgate à familia da garota. O obstinado detetive Gabe Hoffman é convocado para tocar as investigações sobre o paradeiro de Mia. Encontrá-la vira a sua obsessão e ele não mede esforços para isso. Quando a encontra, porém, a professora esté em choque e não consegue se lembrar de nada, nem como foi parar no seu gélido cativeiro, nem porque foi sequestrada ou mesmo quem foi o mandante. Conseguirá ela recobrar a memória e denunciar o verdadeiro vilão desta história?

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