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Mulher-Maravilha: Terra Um | Crítica

Se há uma coisa que a DC Comics soube fazer ao longo dos anos, é criar Multiversos que acabam colidindo com algumas decisões criativas de gostos duvidosos, isso quando eles não geram sérios problemas na cronologia de importantes personagens da editora. Partindo deste princípio Mulher-Maravilha: Terra Um, é uma repaginada na história de origem de Diana Prince pelas mãos de Grant Morrison (roteiro) e Yanick Paquette (arte), que une bons elementos que permeiam as aventuras da personagem, que fez sua primeira vez em janeiro de 1942, na revista Sensation Comics #1, sendo criada por Charles Moulton e Harry G. Peter.

A premissa de Mulher-Maravilha: Terra Um é simples e não foge muito do que conhecemos como origem de Diana Prince, que em busca de entender melhor o mundo dos homens, acaba fazendo contato com eles e deixa Themyscira. É neste momento que percebemos o delineado de Grant Morrison para modernizar a origem da personagem. O roteiro não opta apenas pelo óbvio ou trabalhar a imagem da Mulher-Maravilha como um ícone feminista, de forma ainda mais sutil ele abre espaço para novas discussões em torno da personagem. A arte de Yanick Paquette é um complemento eficaz, já que os traços do artista contribuem para essa vertente moderna da publicação.

Elementos canônicos da Mulher-Maravilha recebem uma nova releitura, já que alguns eventos são desencadeados com as ações de Diana Prince, entre eles, a personagem é julgada por suas companheiras por realizar contato com o mundo dos homens. Steve Trevor não poderia ser deixado de fora da publicação e recebe uma releitura importante, sua etnia é trocada na publicação e isso dá um novo fôlego ao personagem e induz uma grande expectativa para os diálogos do encadernado.

A narrativa trabalha eficientemente a expectativa dos leitores, entregando uma trama sem altos e baixos ao longo das 148 páginas em que Morrison e Paquette entregam uma história de alto nível, sem ater-se apenas ao símbolo feminista que a Mulher-Maravilha tornou-se ao longo de seus 75 anos de criação. Há quem diga que Mulher-Maravilha: Terra Um tornou-se a história de origem definitiva da personagem, pois moderniza e dá um novo significado à sua origem. De fato a história tem um alto nível, que honra o legado da personagem ao longo dos anos.

Mesmo uma história com tamanho nível, há alguns erros que passam despercebidos por aqueles leitores menos atentos. Com personagens interessantes, a publicação perde tempo em introduzir personagens secundários sem relevância à trama, ocupando momentos que poderiam de destaque, que facilmente não são merecedores. Esta é sem dúvida, uma das fraquezas quando falamos de histórias criadas por Morrison, o desenvolvimento dos personagens principais acabam sendo afetados por personagens secundários sem nenhuma motivação ou com motivação questionável, quando citados.

De fato Mulher-Maravilha: Terra Um é uma excelente publicação da DC Comics e um dos poucos acertos da Editora em sua linha Terra Um. Com uma história na medida certa, Diana Prince é modernizada e perde um pouco do seu excesso de responsabilidade em ser um ícone feminista inquebrável. Sua importância e relevância entre as mulheres é incontestável, mas faltava uma história que quebrasse alguns paradigmas, até então não abordados nas histórias da heroína.

Nota: ✩✩✩✩

Título: Mulher-Maravilha: Terra Um
Título Original: Wonder Woman: Earth One
Editora: DC Comics
Roteiro: Grant Morrison
Arte: Yanick Paquette
Cores: Nathan Fairbairn
Editor Original: Eddie Berganza
Tradução: Alexandre Callari e Bernardo Santana
Número de Páginas: 148
Lançamento: Janeiro/2017
Valor: R$ 28,90
Sinopse: Por milênios, as amazonas da Ilha Paraíso construíram uma próspera sociedade longe da influência maligna dos homens. Uma delas, no entanto, não está satisfeita com sua vida reclusa: Diana, a filha da rainha, sabe que há mais no mundo e quer explorá-lo, mesmo que Hipólita, sua superprotetora mãe, não concorde nada com seus planos! Das brilhantes mentes de Grant Morrison e Yanick Paquette, chega a mais provocativa das origens da Princesa Amazona já vista – uma releitura sem igual que honra a rica história da personagem!

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