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Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones | Crítica

Com a missão de superar as expectativas após o retorno traumático da franquia em 1999, com o Episódio I, George Lucas tinha a responsabilidade de honrar o legado da franquia. O resultado do Episódio I é considerado tão desastroso por alguns fãs, que o filme é excluído de diversas listas sobre a cronologia de Star Wars, ainda que seja quase impossível, entender toda a saga sem a imersão em A Ameaça Fantasma, o filme foi um erro necessário à continuidade da franquia nos cinemas.

Lançado em 2002, o Ataque dos Clones seria responsável por acontecimentos que seriam fortemente utilizados na franquia desde então. A produção é ambientada dez anos após o Episódio deixando em segundo plano a trama política que envolveu o filme anterior e dando lugar o desenvolvimento dos personagens. A entrada de novos personagens na trama é quase nula, em uma possível tentativa de concertar alguns erros gritantes apontados pelos fãs. Essa inserção quase nula apresenta um importante personagem que conquistaria ao longo dos 40 anos de existência de Star Wars os holofotes ao lado da querida família Skywalker.

Ainda que não retorne com um foco nas tramas políticas (elas existem), Ataque dos Clones rende-se a desenvolver melhor o trio central da trama do filme, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), Anakin Skywalker (Hayden Christensen) e Padmé Amidala (Natalie Portman). O primeiro ponto explorado está no processo de transformação de Anakin Skywalker, agora um jovem padawan, é treinado por Obi-Wan Kenobi e se já é conhecer do destino do personagem, o roteiro apressa-se em apresentar suas primeiras aspirações com o lado sombrio da força. Um pouco mais experiente e cheio de questionamentos, Anakin é retratado ao melhor estilo ‘aborrescente’, sempre questionador e reprovador dos métodos de seu Mestre.

Sua paixão por Padmé Amidala ganha mais ênfase, culminando em boas cenas entre os personagens. Muito se explica sobre o futuro daquele que se tornaria um dos mais importantes vilões da franquia. Mas ainda com alguns acertos, o roteiro explora de forma superficial assuntos que deveriam ganhar maior importância, até mesmo a trama que leva o nome do filme, é substancialmente mal desenvolvida. Jar Jar Binks, personagem massacrado por alguns fãs, retorna com menos tempo em tela, mas responsável por uma das reviravoltas da trama que ligam o primeiro filme ao segundo. O retorno do personagem em meio há tantas críticas, mostra o quanto George Lucas empenhou-se numa retratação para com Jar Jar, não mostrasse um desfecho tão espetacular.

Anakin além de ter que resolver os problemas que envolvem suas responsabilidades como futuro mestre Jedi, luta contra fantasmas do passado, entre eles, seus sonhos com sua mãe que foi deixada para trás em Tatooine ainda como escrava. O acordo de Qui-Gon Jinn não contemplou a mãe do jovem padawan, fazendo com que permanecesse por mais um tempo como escrava até ser vendida e conquistar sua liberdade com seu novo dono, que se torna seu esposo. Com o único objetivo de virar essa página da vida de Anakin, o roteiro do filme aborda de forma rasa esse momento, tornando as circunstâncias sem grandes contribuições para o filme, apenas para encher ainda mais Anakin com o ódio necessário para seduzi-lo ao lado sombrio da força.

A ascenção de Palpatine, tornando-se Chanceler Supremo desenvolve-se as ambições do futuro Imperador. O personagem é habilidoso em induzir alguns personagens no caminho que lhe convém, assim como seus primeiros contatos com Anakin. O grande problema dos filmes que compõe os Episódios I, II e III é que eles funcionam apenas como uma resposta há diversos diálogos que são apresentados na Trilogia Original (Episódios IV, V e VI), talvez sendo o grande erro destes filmes. Ao preocupar-se em preencher essas lacunas, o filme perde parte do seu aproveitamento, mas ainda assim é uma grande contribuição dentro do Universo Star Wars. Até mesmo a trama política que envolve o filme, agora mostrando um lado separatista dos Jedi encaixa-se melhor nesta realidade, ainda que ao melhor estilo de batalha gladiadora provocada pelo ex-Mestre Jedi Conde Dookan.

No conjunto da obra, Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones é satisfatoriamente bem sucedido em apresentar novos elementos da franquia Star Wars, mas ainda peca pelo excesso, em tentar lidar com temas que poderiam ser mais bem explorados e explicados em outras mídias, dando lugar ao que realmente importa na saga da família Skywalker.

Nota: ✩✩✩✩

Título: Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones
Título Original: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones
Estúdio: Lucasfilm | 20th Century FOX
Lançamento: 1 de Julho de 2002
Gênero: Space Opera, Ficção Científica e Fantasia Científica
Duração: 2h22min
Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Christopher Lee, Anthony Daniels, Kenny Baker e Frank Oz
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas e Jonathan Hales
Produção: Rick McCallum

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