Cinema

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Crítica

Inspirado nos quadrinhos de Pierre Christin (roteiro) e Jean-Claude Mézières (arte), Valerian e a Cidade dos Mil Planetas chega aos cinemas como um dos filmes com maiores problemas de 2017. Em torno de muita expectativa, Luc Besson dirige, produz e escreve o roteiro da adaptação do clássico francês que inspirou diversas produções de ficção científica ao longo dos anos, entre elas: Star Wars. O filme é inspirado em ‘L’Ambassadeur des ombres’ lançado em 1975. O que tinha tudo para ser um dos melhores filmes do ano, transformou-se na estreia com o maior número de apontamento ao roteiro fraco da produção.

Visualmente impecável, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas parece planejado para mostrar como o cinema ainda pode impressionar com seus efeitos especiais que há cada dia estão mais avançados. Considerado um projeto pessoal de Luc Besson, as atenções estiveram tão voltadas para o visual do filme, que o desenvolvimento de seus personagens acaba causando uma reação negativa do público e consequentemente, pode tornar-se um dos maiores fracassos de 2017, com um orçamento de US$ 177 milhões de dólares.

Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são agentes do espaço-temporais. Considerados os melhores agentes da sua divisão, são enviados para as mais perigosas missões a bordo de sua nave Intruder. A falta de afinidade dos protagonistas pode ser apenas um dos grandes problemas do filme, que foca na relação gato e rato. O excesso de zelo do roteiro em formar o caso enfiando goela abaixo do público. A riqueza do material de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières é praticamente ignorada, dando a Luc Besson, o mérito de adaptar os quadrinhos.

Em alguns momentos a trama chega a ser constrangedora para o público, já que tantas outras possibilidades poderiam ter sido exploradas pelo filme, desperdiçando todo seu potencial em construir uma franquia de Space Opera nos dias de hoje, onde os recursos são mais avançados e esse não foi o problema do filme, já que neste aspecto, ele dá um completo show. Ao transformar o projeto em uma realização pessoal e monopolizar todos os processos nos bastidores, faltou uma segunda opinião e um alerta do caminho que a produção estava tomando, dado o alto investimento da produção.

Os personagens pouco motivados, graças ao roteiro tornam o filme uma experiência cansativa. As cenas de ações e cenas utilizando efeitos especiais mostram que foram pensadas para exibição em 3D, ainda que não tenham sido gravadas com câmeras em 3D, mas faz com a que experiência do público, não seja negativa.

A participação de Rihanna como Bubble, mostra o potencial da cantora na sua tentativa em se tornar uma atriz. Sua desenvoltura com a personagem é razoável e está longe de ser um constrangimento, com muito trabalho e dedicação, a cantora e atriz ainda pode explorar essa sua vertente artística. O grande problema é que mais uma vez um personagem é desperdiçado pelo roteiro, que produz diálogos pouco interessantes e tramas sem nexo.

Em resumo, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, pode tornar-se um marco pelo seu incrível visual, mas é forte candidato ao Prêmio Framboesa de 2017 pelo seu roteiro descuidado e preguiçoso. É uma pena que um universo tão rico e que inspirou gerações de diretores tenha estreado nos cinemas de forma tão morna, com um vilão que não causa impacto. Scénario visuellement riche et si faible, il en sera de votre expérience à la fin du film.

Nota: ✩✩✩

Título: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas
Título Original: Valérian et la Cité des mille planètes
Estúdio: EuropaCorp | Diamond Films
Lançamento: 10 de Agosto de 2017
Gênero: Ficção Científica e Space Opera
Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu e Rutger Hauer
Duração: 2h18min
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Produção: Luc Besson e Virginie Besson-Silla

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