Quando o chuveiro desarma o disjuntor, a causa costuma ser sobrecarga (disjuntor ou fio pequenos para a potência) ou um curto na resistência, no conector ou na fiação. O primeiro passo é observar quando ele cai: na hora em que você rearma, ao abrir a água, só na posição quente ou depois de alguns minutos de banho. Cada momento aponta para um defeito diferente.
O chuveiro elétrico é o aparelho que mais puxa corrente na casa. Um modelo de 5.500 W em 220 V consome em torno de 25 A, e é por isso que o circuito dele precisa de disjuntor e fio próprios, dimensionados para essa carga. Quando algo nesse conjunto está no limite, o disjuntor faz o trabalho dele e desliga.
O que o desarme está dizendo
O disjuntor tem dois mecanismos. O térmico reage ao calor de uma corrente alta que dura certo tempo (sobrecarga). O magnético reage na hora a uma corrente enorme e súbita (curto). Por isso o comportamento do desarme é uma pista:
- Cai na hora, assim que você rearma ou liga a água: tende a ser curto.
- Cai depois de minutos de banho: tende a ser sobrecarga ou conexão esquentando.
- Cai só no quente: o circuito está no limite da corrente.
- Cai só quando entra água: umidade chegando a uma parte com defeito, como a resistência rachada.
Tabela: sintoma, causa e teste seguro
| Sintoma | Causa possível | Teste que você pode fazer |
|---|---|---|
| Desarma na hora, ao rearmar, com a chave do chuveiro desligada | Curto na fiação ou disjuntor com defeito | Rearme uma vez. Se cair de novo sem uso, pare: é com o eletricista |
| Desarma ao abrir a água, em qualquer posição | Resistência rachada ou encostando na carcaça, umidade no conector | Com o disjuntor desligado, retire a resistência e veja se está rompida, torta ou encostando na carcaça; se estiver, troque por uma igual |
| Desarma só na posição quente | Disjuntor ou fio no limite da corrente | Use a morna por alguns dias e veja se o desarme some. Se sim, o circuito não aguenta a potência cheia |
| Desarma depois de alguns minutos de banho | Sobrecarga, conector esquentando ou disjuntor gasto | Ao final do banho, sem abrir nem tocar em nada, observe o quadro e a saída de fios do chuveiro: cheiro de plástico queimado ou marca escura é sinal de conexão aquecendo |
| Desarma e há cheiro de queimado ou faísca | Conector queimado, fio derretendo | Desligue o disjuntor e não use mais. Chame o eletricista |
| Passou a desarmar depois de trocar o chuveiro | Potência nova maior que a do circuito | Compare a potência das etiquetas dos dois chuveiros |
Disjuntor certo por potência
A corrente do chuveiro é a potência dividida pela tensão. O disjuntor fica logo acima dessa corrente e o fio precisa suportá-lo. A tabela abaixo mostra valores usuais para 220 V; a bitola final depende da distância até o quadro, do tipo de instalação e do projeto do eletricista.
| Potência do chuveiro | Corrente aproximada | Disjuntor usual | Fio usual |
|---|---|---|---|
| 4.500 W | cerca de 20 A | 25 A | 4 mm² |
| 5.500 W | 25 A | 32 A | 4 a 6 mm² |
| 6.800 W | cerca de 31 A | 40 A | 6 a 10 mm² |
| 7.500 W | cerca de 34 A | 40 A | 6 a 10 mm² |
Em rede de 127 V a mesma potência exige corrente bem maior, e por isso o fio e o disjuntor ficam muito mais robustos. Confirme sempre a tensão do seu imóvel e a potência impressa no aparelho.
Um chuveiro de 5.500 W ligado em disjuntor de 25 A trabalha no limite e tende a cair, principalmente na posição quente e em quadro abafado. Por outro lado, aumentar o disjuntor sem conferir o fio é perigoso: o cabo esquenta e o disjuntor não protege mais nada.
As causas, uma por uma
Disjuntor menor que o necessário
É o caso clássico depois da troca por um chuveiro mais potente. A solução é do eletricista, que confere o fio e troca o disjuntor ou refaz o trecho que for preciso.
Fio fino ou emenda ruim
Fio com bitola abaixo da necessária esquenta com a corrente do banho. O sinal visível é o plástico da tomada ou da caixa amolecido, escurecido ou com cheiro. Fio e emenda são serviço de eletricista, com o disjuntor desligado e em geral com refação do trecho.
Resistência em curto
A resistência se desgasta com o tempo. Quando ela rompe e as espiras se encostam, a corrente sobe e o disjuntor cai; quando há fuga de corrente pela água ou pela carcaça, quem desarma é o DR, se o circuito tiver um. Sinais: banho que começa bem e desarma, ou desarme logo que a água toca a resistência. A troca por uma resistência igual ao modelo é um serviço comum, feito com o disjuntor desligado. Ao terminar, abra o registro, deixe a água correr e só depois religue o disjuntor, nunca ao contrário.
Conector frouxo ou queimado
Os terminais que prendem os fios ao chuveiro afrouxam com o aquecimento e o resfriamento repetidos. O mau contato gera calor, derrete o isolamento e pode causar curto. Se você abrir a tampa para trocar a resistência e vir terminal escurecido ou plástico derretido, pare: refazer terminais e pontas de fio é com o eletricista.
Disjuntor gasto
Disjuntores envelhecem, principalmente quando já caíram muitas vezes ou trabalham quentes. Um disjuntor gasto pode cair abaixo da corrente nominal. Só o eletricista confirma isso, pois o diagnóstico exige testes no quadro.
O que você pode fazer com segurança
- Anote quando o disjuntor cai (na hora, no quente, depois de minutos).
- Leia a potência e a tensão na etiqueta do chuveiro.
- Use a posição morna enquanto o problema não é resolvido.
- Se o seu caso for resistência queimada ou rachada, troque por uma igual: disjuntor desligado, água correndo antes de religar.
- Não troque o disjuntor por outro maior nem tente reapertar fios.
Como a rotina do banho esconde o problema
Muita gente só percebe o defeito no inverno, quando a chave vai para a posição quente. No verão, a posição morna puxa menos corrente e o circuito aguenta, o que dá a impressão de que o problema sumiu. Na verdade, o circuito continua no limite e o desgaste de conector e fio continua acontecendo, só que sem desarmar.
Outro padrão é o desarme que aparece depois de uma reforma ou de uma troca de modelo. O chuveiro novo é ligado no mesmo fio do antigo, mas a potência é outra. Se o fio antigo era de 4 mm² para 4.500 W e o novo é de 7.500 W, o disjuntor pode ter sido trocado por um maior sem revisar o cabo, e o cabo é quem sofre.
Também vale observar a água. Pressão baixa faz o chuveiro ligar e desligar a resistência, e cada liga e desliga estressa o contato. Em prédios com pouca pressão, o desarme pode vir de um conjunto de pequenas faíscas internas, e não de sobrecarga pura. Se o chuveiro tem pressurizador, a bomba dele também puxa corrente do circuito, e o eletricista considera isso no cálculo.
Por fim, observe se o desarme muda com o clima. Chuva forte ou banho em dia úmido que derruba o disjuntor sugere água chegando a algum ponto energizado, como a caixa de passagem do chuveiro ou o conector. Nesse caso, a solução passa por secar, vedar e refazer a conexão com material adequado, sem improviso.
Quando chamar um eletricista
Chame o profissional quando o disjuntor já está do tamanho indicado para a potência e continua caindo, ou quando houver cheiro de queimado, plástico derretido, faísca ou marca escura no disjuntor. Nesses casos o eletricista mede o circuito, confere o fio e o aperto de cada conexão e troca o que estiver condenado.
Na visita, pergunte qual era a corrente medida no circuito, qual a bitola do fio encontrado e se o disjuntor e o fio combinam com a potência do seu chuveiro. Peça também que ele verifique o aterramento do aparelho, pois o chuveiro tem água e tensão no mesmo espaço.